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AEROMODELISTA ou PILOTO DE AEROMODELO |
Quando o aeromodelismo surgiu no Brasil, no final da década de 30, logo ele passou a ser chamado o "esporte-ciência!
Naquela época não havia o rádio controle e todos os modelos eram de vôo-livre, e o que se buscava alcançar era o maior tempo de vôo. Havia os planadores, os modelos movidos com motor de elástico e os modelos com motor de explosão a gasolina, com um sistema de ignição com pilhas, bobina de alta tensão e vela Champion! |
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Os modelos com motor de elástico eram os mais populares, pois com o início da II Guerra, em setembro de 1939, os motores de explosão começaram a escassear, e desapareceram por completo quando os Estados Unidos entraram no conflito, após o ataque japonês a Pearl Harbour. Os modelos de elástico eram divididos em várias categorias, sendo a mais famosa delas a "Wakefield", de disputa internacional, e que consagrou Dick Korda com um modelo que vem sendo montado até hoje pelos adeptos dos "old timers". No Brasil, o jornal "A Gazeta" instituiu um troféu para modelos com 1000 cm2 de área de asa, e que foi disputado ao longo de vários anos, com provas que chegaram a ter mais de meia centena de participantes. |
Os modelos com motor de explosão eram divididos em três classes: "A" para motores até .19 pol.cub. de cilindrada; "B" para motores de .20 a .29 pol.cub.; "C" para motores com mais de .30 pol.cub., sendo mais populares os de .60 de cilindrada. O tempo de funcionamento do motor era limitado a 20 segundos, controlado por meio de um "timer",que podia ser pneumático, da marca Austin, ou com mecanismo de relógio. Os grandes nomes da época foram Carl Goldberg com seu famoso "Zipper", Sal Taibi com o "Pacer", Leon Shulman com o "Wedgy", e vários outros. Afora os Estados Unidos, pouco se conhecia aqui sobre o aeromodelismo praticado em outros países, pois a única publicação sobre o esporte que se podia comprar era a americana "Model Airplane News", que foi a pioneira no mundo.
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O Zipper de Carl Goldberg
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Aqui no Brasil, durante a II Guerra, os concursos eram realizados com bastante frequência e eram prestigiados pelo Ministério da Aeronáutica, sendo comum ver Brigadeiros do Ar entregando prêmios aos vencedores das provas. Afora os comerciantes do ramo, não havia aeromodelistas profissionais, todos praticavam o esporte pelo esporte, todos construíam e ajustavam seus modelos, todos se ajudavam uns aos outros, e ninguém cobrava para dar aulas a ninguém. Assim era o "esporte-ciência”. |

O Wedgy de Leon Shulman
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Depois da guerra começaram a surgir os primeiros rádios: Eram de um só canal, muito simples, muitas vezes montados pelos próprios aeromodelistas com componentes comprados na rua Santa Efigênia. No início só se comandava o leme - o modelo sempre subia; para perder altura se segurava o leme e o modelo entrava numa espiral algumas vezes até o chão!.. Depois começaram a surgir dispositivos que permitiam duas velocidades do motor: uma acelerada e a outra a quatro tempos meio afogado, tudo comandado por um só canal, através de uma catraca movida a elástico. O Zeca Mendes era quem entendia da parte eletrônica e todo mundo recorria a ele para consertar ou sintonizar os seus rádios antes de qualquer sessão de vôo nos fins de semana, na Base Aérea de Cumbica. Não havia aeroporto lá e o campo era praticamente nosso aos domingos. Bons tempos aqueles... |
Nessa época Ray Arden já havia inventado a "glow plug" e os motores de explosão com suas bobinas, condensadores e baterias de vôo saíram de moda. A gasolina pura e o óleo SAE 70 foram substituídos pelo metanol e o óleo de rícino.
Posteriormente, lá pela década de 60, surgiram os rádios multicanais, selecionados pela ressonância de pequenas lâminas metálicas que ao vibrar em resposta a um certo tom emitido pelo transmissor fechavam o circuito para um determinado comando um só comando, por exemplo, o leme para a direita; para mover o leme para a esquerda, o transmissor tinha que emitir um outro tom, fazendo vibrar uma outra lâmina no receptor.
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O Pacer de Sal Taibi
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Assim, para se ter todos os quatro comandos básicos (aileron, profundor, leme e motor) eram necessários 8 canais - e os comandos eram do tipo "bang-bang", isto é, sem posições intermediárias. |

Shoji Ueno - fundador da
Casa Aero-Bras
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Não havia nascido ainda o "proporcional", e os pilotos que realizavam acrobacias com este equipamento eram realmente uns verdadeiros artistas, tal a agilidade exigida para dedilhar as várias chaves de comando. O Ueninho, da Casa Aero-Bras, foi o maior deles.
Aí surgiram os rádios digitais com comando proporcional e o aeromodelismo foi deixando de ser o "esporte-ciência" e se transformando no esporte de "pilotagem de aeromodelos". Ainda existe um número apreciável de aeromodelistas que constroem os seus modelos, mas proporcionalmente este número vem decrescendo sensivelmente em comparação com aqueles que compram modelos prontos ou quase-prontos, que pagam a profissionais para instalar o motor e o equipamento de radio, e que ainda pagam a outros profissionais para aprender a pilotar. Talvez seja a evolução natural das coisas, mas os que estão no final do processo, os que só pilotam, estão perdendo a parte mais importante da prática do aeromodelismo que é o conhecimento adquirido através do estudo, dos testes, dos fracassos e dos sucessos, enfim, de tudo que fez o aeromodelismo merecer o título de o "esporte-ciência".
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Affonso C. A. Arantes |
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