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A Família Arantes
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Fazenda Paraíso
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Em uma rua de 400 metros, ladeada por palmeiras imperiais, que se abrem no final, em gracioso semicírculo, encontra-se o palacete com a placidez de um solar. Dentro resplandece o luxo, no estilo do mobiliário, na pureza dos cristais e dos espelhos, nas finas tapeçarias, na sobriedade dos damascos, nas pratarias lavradas. Galerias de quadros de valor, museu de raridades, tudo continha a Paraíso do Visconde. Há no térreo, 2 salões, de bilhar e de visitas, 4 quartos, escritório, biblioteca, sala de almoço, copa, salão de costura, capela e várias dependências: banheiros, dispensa e cozinha. No sobrado, salão de recepções, alcançado por majestosa escada (cujos lados tem dois negros de bronze, de tamanho natural, sustentando nas mãos ricos candelabros) e que bifurca para a esquerda e direita, há ainda, sala de armas, sala de jantar onde na parede está pintada “Baía de Guanabara 1800” de José de Villaronga, vasto dormitório, alcova, 20 quartos para hóspedes e vários banheiros. Na fazenda trabalhavam 500 escravos e havia uma banda de música com 50 figuras que tocava nos jantares e festas, sempre opulentos e regados com os melhores vinhos franceses da famosa adega do Visconde. A casa construída entre 1845 e 1853 e tinha iluminação a gás que só chegou a São Paulo em 1870. Até hoje se conservam as senzalas e o hospital de escravos. Domingos Custódio Guimarães, nascido em 1800 e falecido em 1868, é um perfeito exemplo do grand-seigneur do patriciado fluminense.
A Fazenda Paraíso fica em Manuel Duarte, município de
Rio das Flores-RJ. Com dois pavimentos em toda a área,
chega–se ao portão de entrada por uma alameda de palmeiras
imperiais e dispõe de uma das mais belas e
imponentes sedes, construída por volta de 1845.
A casa em forma de U tem a ala esquerda tomada pela
grande capela, que ocupa espaço dos dois andares; a
parte central destina – se aos numerosos salões; a ala
direita, aos dormitórios.
Conheceu no passado inigualável esplendor econômico
e social. Principal Fazenda de Domingos Custódio Guimarães
(07/09/1802 MG) , Barão do Rio Preto (1854) e mais tarde Visconde do Rio Preto (1867). Grande
cafeicultor e notável figura humana, Paraíso foi palco
de festas suntuosas com presença da Princesa Isabel
e do Conde D’Eu. Foi nela que pela primeira vez se utilizou
iluminação a gás no Brasil (25/03/1854), gerada
por equipamentos importados pelo Visconde. O solar tem
acabamento sofisticado: portas almofadadas, pinturas
nas paredes, assoalhos especiais, bandeiras das portas
e janelas artisticamente desenhadas, papéis de parede
estrangeiros escadas entalhadas e sacadas com gradil
de ferro.
OBS: A FAZENDA PARAISO NO MUNICÍPIO FLUMINENSE
DE RIO DAS FLORES SERVIU DE AMBIENTE PARA A MINI-SÉRIE
"UM SÓ CORAÇÃO" DA REDE GLOBO. NESTA MINI-SÉRIE, A FAZENDA
PARAISO É DE PROPRIEDADE DO CORONEL TOTONHO (TARCÍSIO MEIRA). |
Esta fazenda, pertencia a
João Pedro Maynard, freqüentador da Corte Real Portuguesa
e companheiro das farras dos principes Miguel e seu
irmão Pedro, futuro Imperador do Brasil e, ambos, futuros
reis de Portugal. Domingos Custódio Guimarães, 1º Barão
a 6/12/1854 e Visconde de Rio Preto em 1867 ao desfazer
a sociedade comercial Mesquita&Guimarães no transporte
de carne mineira para abastecer à cidade do Rio de Janeiro
e à Corte Imperial, de seu sócio, banqueiro e íntimo
de Pedro I, José Francisco de Mesquita (1790-1873),
Barão em 1841, Visconde a 2/12/1854, Conde em 1866 e
Marquês de Bonfim em 1872, estava riquíssimo e resolveu
empregar o seu dinheiro em um negócio que estava começando
a chamar a atenção dos empreendedores da época: a cultura
cafeeira que dava menos despesa que a cana de açúcar.
O futuro Barão/Visconde do Rio Preto
incumbe o seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães,
de comprar terras na região fluminense, próximas à Corte.
Ele compra em Minas: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante
e São Bento e no Rio: a Loanda e Paraiso, que pertenciam
a João Pedro Maynard, e mais: Criméia, São Leandro,
Sta. Tereza, São Policarpo, Sta. Bárbara, União, Sta.
Genoveva, Mundo Novo. Essas 14 fazendas produziam 60.000
arrobas de café por ano, o que daria uma renda anual
ao Visconde de US$ 735.000 (considerando-se a saca de
60 kg. sendo vendida a R$ 150,00 e o US$ valendo R$
3,00), ou seja, uma verdadeira fortuna para o custo
de vida da época !!!.
Com a compra da Paraiso, com seus
500 escravos e uma banda de música de 50 figuras, temos
o início desta trama familiar que une pessoas e as províncias
de Minas e Rio numa teia de parentescos sangüíneos e
contra parentescos que vem desde o início do século
XIX até os dias de hoje, vamos aos fatos:
1º) Joaquim Custódio Guimarães, comprou a Flores do Paraíso por indicação do Capitão Domingos Antonio Ribeiro do Valle que é filho de João Ribeiro do Valle que é irmão de Felisberto Ribeiro do Valle, meu 6o avô, ambos filhos de Antonio Ribeiro do Valle, meu 7o avô todos de São João d’El Rei, MG. Esse Joaquim Custódio Guimarães, sobrinho do Visconde, vem a se casar com uma filha de Domingos Antonio Ribeiro do Valle. Temos cá, a união
do sangue Guimarães do Visconde do Rio Preto com o sangue
Ribeiro do Valle. Há uma tradição oral em minha família
que informa sobre a 2ª mulher do Visconde do Rio Preto,
Maria das Dores de Carvalho, fal. a 12/1/1873, ser tia
de minha avó, mas eu não consegui estabelecer a ligação
entre o Carvalho de Maria das Dores, que vem de seu
pai Joaquim Inácio de Carvalho, com o meu Carvalho que
vem do 1º Barão de Cajurú.
2º) João Gualberto de Carvalho, foi
1º Barão de Cajurú a 30/6/1860 tendo como recomendação,
dentre outros, do então, Visconde de Bonfim, José Francisco
de Mesquita. O 1º Barão de Cajurú é casado com Ana Inácia,
filha de Inácio Ribeiro do Valle. Este Inácio é filho
do Felisberto e é sobrinho do João Ribeiro do Valle,
ou seja, o pai da mulher do 1º Barão de Cajurú é primo
irmão do Domingos Antonio Ribeiro do Valle cuja filha
se casou com o sobrinho comprador de fazendas do Visconde
do Rio Preto. Temos cá, o contraparentesco entre o sangue
Carvalho do meu 4º avô, 1º Barão de Cajurú, com o sangue
Guimarães do Visconde do Rio Preto e o parentesco do
sangue Ribeiro do Valle com o sangue Guimarães do Visconde
do Rio Preto e, também, a ligação social entre o Marquês
de Bonfim e o 1º Barão de Cajurú.
3º) Com a morte do Visconde do Rio
Preto, a 7/7/1868, no meio da magnifica festa que dava
na Paraiso para comemorar a inauguração do ramal Paraibuna-Porto
das Flores da estrada de ferro, a fazenda vai para seu
filho Domingos, 2º Barão de Rio Preto, que, ao morrer
em 1876, deixa a Paraiso para seu filho, tambem Domingos
(Dominguinhos), que é casado com uma filha de Manoel
Vieira Machado da Cunha, Barão d’Aliança, que comprou
a Paraiso do genro em 1895. Este Barão d’Aliança é sobrinho
de José Vieira Machado da Cunha, 1º Barão do Rio das
Flores, que é casado com Maria Salomé que é irmã do
meu bisavô João Antonio de Avellar e Almeida e Silva
que é casado com uma neta do 1º Barão de Cajurú. Temos
cá, o parentesco entre o sangue Carvalho do meu 4º avô,
1º Barão de Cajurú, e o sangue Avellar e Almeida do
meu 4º avô Manoel de Avellar e Almeida, com o sangue
Guimarães do Visconde do Rio Preto.
4º) Em 1912, a Flores do Paraíso é vendida pelo Barão d’Aliança ao Cel. Alexandre Belfort de Arantes que é irmão do Visconde de Arantes e é neto de Antonio Belfort de Arantes, 1º Barão de Cabo Verde (quem, por sua vez, é sobrinho de Manoel Rufino de Arantes, meu 4º avô, e de sua mulher Ana Joaquina de Carvalho que é irmã de João Gualberto de Carvalho, 1º Barão de Cajurú). A mulher do 1o Barão de Cabo Verde é Maria Custódia Ribeiro do Valle, que é irmã de Ana Inácia Ribeiro do Valle, casada com, João Gualberto de Carvalho, 1ºs Barões de Cajurú, meus 4ºs avós. Quem cuidou da fazenda Paraíso foi o filho de Alexandre, o major Galileu Belfort de Arantes, cujos descendentes são os atuais proprietários. O Visconde de Arantes é casado com uma filha dos 1os Barões de Cajurú, sua prima-irmã o que os torna meus tios-trisavós.
Temos cá, o grand finale desta secular
teia/trama familiar construída desde o 1º quartel do
século XIX, com a junção do sangue Guimarães, do sangue
Carvalho, do sangue Ribeiro do Valle, do sangue Avellar
e Almeida e do sangue Arantes que, através de um trineto
do 1º Barão de Cabo Verde (que é meu tio tetravô), é
o atual proprietário da fazenda Paraiso, agora de gado
leiteiro e não mais do café que foi o grande articulista
social/financeiro desta fazenda cuja casa solarenga,
imponente, elegante e requintada, é considerada por
Taunay e o Conde d’Eu como o mais belo palacete rural
brasileiro, a Rainha das Fazendas.
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 Na foto da esquerda, vemos o vão central do prédio principal da sede da Fazenda Paraiso, notando-se as três portas almofadadas da entrada para o hall, encimadas por artísticas bandeiras de ferro trabalhado, e os consolos de cantaria que sustentam os gradís do segundo andar.
À direita vemos o hall da entrada principal mostrando o primeiro lance da escada de acesso ao pavimento superior, iluminado por duas estátuas de bronze.
Abaixo, o aspecto da fachada da sede, destacando-se a original composição decorativa que emoldura as janelas. Obra de Domingos Custódio Guimarães, Visconde de Rio Preto, cafeicultor progressista, pioneiro ao introduzir iluminação a gás na fazenda, que era considerada a "Jóia de Valença".
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Fontes: O Vale do
Paraíba, Eloy de Andrade, Real Gráfica, Rio de Janeiro,
1989, pgs.: 205 a 208, 220, 299, 309.
História de Valença 1803-1924, Luís Damasceno Ferreira,
Graphica Editora Paulo Pongetti, Rio de Janeiro, 1925.
A Família Arantes, Américo Arantes Pereira, Legis Summa,
Ribeirão Preto, 1993.
A Família Ribeiro do Valle, José
Ribeiro do Valle, pgs: 12 e 57.
Dicionário das Famílias Brasileiras,
Carlos E.Barata/Cunha Bueno, Brasília, 2000.
Anuário Genealógico Brasileiro Ano I, II, III, IV, VI,
VII e IX. Revista Genealógica Latina, Vol. XII, 1960. |
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Matéria cedida por Aníbal de Almeida Fernandes
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