A importante e conclusiva pesquisa do engenheiro lisboeta, Eduardo de Arantes e Oliveira identificou o primeiro Arantes que está registrado no Nobiliário “Coleção de Memórias Genealógicas”, (2º volume), manuscrito nº 876 do Arquivo Distrital de Braga, de autoria do Padre Marcelino Pereira que viveu no século XVII, era ele: João de Arantes que, no século XV, era João de Nantes e ficou assim até D. João IV, o Restaurador (1604-1656), 21º Rei de Portugal. Depois o sobrenome mudou para D’Anantes. Na segunda metade do século XVII o sobrenome passa a d'Arantes, ou de Arantes, forma moderna sob a qual passará a ser escrito e o é, até hoje. O sobrenome acompanha a evolução do nome desse lugarejo do Conselho de Chaves, Vila que pertencia à Casa dos Duques de Bragança.
João de Arantes que é o 1º Arantes nasceu, cerca de 1460, sob o reinado de Afonso V (foto), 1432-1481, 12º Rei de Portugal e, conforme a carta de nomeação encontrada, foi nomeado a 02/01/1488 “Condestável dos Espingardeiros do Reino" (o que equivale a Ministro da Guerra), no turbulento reinado de D. João II (filho de Afonso V) de quem foi Cavaleiro da Casa Real. D. João II, 1481-1495, 13º Rei de Portugal, o Príncipe Perfeito, é considerado o Grande Rei de Portugal, pois quando sobe ao trono trata de fortalecer o poder real, irritando a alta nobreza portuguesa que procura aliança com a Espanha. Entre eles, seu primo D. Fernando II, 3º Duque de Bragança, o maior e mais rico senhor de terras de Portugal, Castela, Navarra e Aragão que, por essa atitude, é degolado em Évora em 1483, a mando de D. João II, que confisca os bens da Casa de Bragança, a mais opulenta de Portugal, para a Coroa. Os Braganças fogem para Castela, para o abrigo da rainha Isabel (aquela rainha que financiou Cristóvão Colombo na descoberta da América), e só voltam em 1497, quando D. Manoel I, que era tio de D. João II e irmão de D. Afonso V, assume o trono e restitui os bens da Casa de Bragança a D. Jaime, filho de D. Fernando II, que se torna o 4º Duque de Bragança.
João de Arantes, o 1º Arantes, foi o senhor da Quinta de Romay que pertencera à Casa de Castro que, como diz o Marquês de Montebello, "era o solar de que todos os reis da Europa descendem". O nome Romay vem do Conde D. Romão, filho ilegítimo d’El Rey D. Fruella e neto del Rey D. Afonso, o Católico, no século VIII, Reis das Astúrias. Ainda pelas "Notas do Marquês de Montebello ao Nobiliário do Conde D. Pedro'', que é um trabalho citado pelo engenheiro Eduardo de Arantes e Oliveira em seu importante estudo, nós ficamos sabendo que a Quinta de Romay veio para a Casa dos Machados, pela mãe de Vasco Machado, Dona Mayor Mendes de Vasconcelos, e o aforamento do senhorio da Quinta de Romay a João de Arantes pode significar uma compensação pela transferência da Quinta de Nantes ao ramo primogênito e, nesse caso, os Arantes estariam ligados aos Machados, que tem origem no Cavaleiro D. Mem Moniz de Gandarei, conquistador de Santarem, (onde está enterrado Pedro Alvares Cabral), quando ele tomou essa vila aos mouros rompendo com um machado as portas da cidade vindo, desse jeito, aos descendentes, o apelido de Machado. Os Machados eram Senhores de Nantes, do Solar dos Vasconcelos, da Torre de Geraz, Cávado, Riba de Vizela, Passo, Pinho, Senhores da Casa de Castro, e Senhores de Matosinhos. Pode-se portanto concluir com certeza, que João de Arantes, era ele próprio nobre por ser um Cavaleiro Fidalgo de sangue e espada, Senhor de Romay, Morador da Casa Real e ser relacionado com várias famílias nobres do norte de Portugal, tais como, São Payos, Quinteiros, Macedos, Melos, Araújos, Machados e Azevedos.
Atenção primos Arantes: em relação a todas as famílias brasileiras que eu pesquisei nos registros do Pedro Taques e do Silva Leme, nenhuma outra família descrita começa com um Condestável, Fidalgo de sangue e espada, Morador da Casa Real e todas essas qualificações são sinais inequívocos de nobreza e tudo isto com significativa antiguidade já que aconteceu em pleno século XV, ou seja, antes da descoberta do Brasil.
Faço um enquadramento histórico para facilitar a compreensão desta minha afirmação uma vez que esta distinta qualificação social, numa monarquia absoluta regida pela lei estamental onde o Rei é dono de tudo e de todos dá nobreza ao 1º Arantes, que era Cavaleiro Fidalgo de sangue e espada, Morador da Casa Real, Senhor de Romay: Eu comparo esta importante origem do 1º Arantes no séc. XV com a origem da família Real da Suécia no séc. XIX, uma vez que o atual Rei Sueco descende de um General de Napoleão Bonaparte chamado Bernadotte (que era casado com Desirée, que era irmã da mulher de um dos irmãos de Napoleão), que foi chamado pelos suecos para ser Rei da Suécia para agradar Napoleão. Tudo isto aconteceu no início de 1800, ou seja, mais de 300 anos após o nosso avô João de Arantes já ser Condestável, Fidalgo de sangue e espada e Senhor de Romay. Mais um detalhe, os pais e avós deste Bernadotte eram camponeses.
Segue abaixo a descendência de João de Arantes até seu 6º neto, Domingos de Arantes.
1: João de Arantes, o 1º Arantes, e sua mulher, Genebra de São Payo, aparecem oficialmente na história, numa escritura feita a 16/02/1509 e devem ter nascido, entre 1460 e 1470, no reinado de D.Afonso V, João e Genebra tiveram, pelo menos, 3 filhos: João, que herdou a Quinta de Romay, c.c. Francisca Macedo, da Casa de Samaça, Antonio (que recebeu Ordens Menores em 1511) e Diogo (de quem descendem os mais de 30.000 Arantes brasileiros) e cuja descendência segue abaixo até Domingos de Arantes:
2: Diogo de Arantes, Escudeiro Fidalgo do Rei, Morador da Casa Real, (sinal inequívoco de nobreza), foi nomeado, três vezes, Escrivão dos Órfãos e Tabelião de Entre Homem e Cávado, a 11/03/1511 e 18/02/1516 por D. Manoel e a 09/09/1522 por D. João III. Casou-se com Maria Pires de São Payo de Besteiros, pais de 5 filhos: Gaspar (n. 1530 e f. 23/9/1615 que sucedeu ao pai como Escrivão dos Órfãos), Simão, Gaspar Quinteiro (Abade de Carrazedo), Ana e Violante que segue:
3: Violante, f. 12/05/1622, casou-se com Simão Gonçalves, senhor da Casa e da Quinta da Espinheira, onde ela viveu até a morte, pais de:
4: Margarida se casou a 14/08/1585 com Gaspar Rodrigues, em Besteiros, pais de:
5: Maria se casou a 11/02/1624 com Manuel Lopes, em Besteiros, pais de:
6: Maria, b. 6/02/1625, casou-se a 12/08/1646 com Antonio Gonçalves Ferreira, pais de:
7: Francisco de Arantes, batizado a 21/08/1659, f. 6/04/1733, manteve o sobrenome Arantes, foi Juiz na freguesia da Porta e de São Salvador do Couto do Souto em 1732. Casou-se com Úrsula Gonçalves, (ou Fernandes), pais do filho único:
8: Domingos de Arantes, b. 30/07/1693, 6º neto de João de Arantes. Casado a 06/08/1719 na freguesia do Souto, com Josefa Marques b. 18/03/1699, pais de 10 filhos: Maria (1720), Helena (1722), João (1724), Domingos (1726), Domingas (1729), José (1730), Manuel (1732), Francisco (1734), Antonio (1738), Jerônimo (1741). Destacaremos apenas Maria, João e Antonio (Capitão Mor).
Maria, (graças ao seu neto João Manoel que veio ao Brasil), João e Antonio são os Patriarcas dos 3 troncos dos Arantes no Brasil que tem sua descendência esclarecida até João de Arantes, o 1º Arantes da história.