Nascido em Aiuruoca - Minas Gerais, em 30 de março de 1914. Graduado pela Faculdade Nacional de Medicina em 1937. Admitido por concurso na Assistência Pública em 1938. Chefe de Equipe do Pronto Socorro do Hospital Getúlio Vargas, acumulando com a Chefia da Clínica Cirúrgica, onde realizou cursos de Pós Graduação em Cirurgia. Em 1957 passou a chefiar a 3ª Clínica Cirúrgica do Hospital Pedro Ernesto, como Professor Titular Associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas. Foi Presidente do Centro de Estudos da Secretaria de Saúde, quando criou a Residência Médica no Estado da Guanabara. Presidiu a Sociedade de Medicina e Cirurgia por vários períodos, acolhendo as diversas Sociedades Médicas Especializadas. Foi médico da Legião Brasileira de Assistência e Cirurgião do Hospital do Andaraí por vários anos, além de Secretário Municipal de Saúde em 1983. Membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia de Médicos Escritores. Teve um cem números de obras publicadas nos ramos de cirurgia, ética médica, artigos e crônicas. Faleceu em Aiuruoca, "sua aldeia queria", em dia 29 de Julho de 2002. A vocação para medicina levou Júlio Sanderson a se interessar por aqueles que descobriram meios e maneiras de prolongar a vida, levando-o a escrever o livro "Heróis de Curar", onde o autor propõem uma reflexão e questiona porque aqueles que matam são considerados heróis e porque tanto silêncio em torno daqueles que salvam. Seu sonho do PAM Teão do Herói de Curar não pode ser realizado materialmente, mas é vivo no coração de todos os médicos a figura do MÉDICO COMPLETO que ele representou, e da sua luta eterna pela ética e a valorização da profissão, sendo dele a frase que representa o sentimento de todos que labutam na arte de curar: "a cura é anônima e a morte é notícia".

O Dr. Julinho como era carinhosamente chamado, foi da turma de 1937 da Faculdade de Medicina, Praia Vermelha, Rio de Janeiro. A vocação para medicina o levou a se interessar, bem cedo, pelo estudo de biografias. Saber como e o que fizeram aqueles que inventaram e descobriram meios e maneiras de prolongar a vida, livrando o homem de seus males. A prática cirúrgica do Dr. Júlio foi iluminada pela invocação dessas vidas.
Nas praças públicas do Brasil, os heróis de curar vão conviver com os heróis que mataram. Uma nova ordem chega com o novo milênio.
A presença de São Lucas como padroeiro religioso dos médicos contém a semente dessa nova ordem. Eis como o Dr. Júlio sintetiza a função do médico:
"O médico, quando cura, consola, apoia, ajuda, divide a dor. Curar é sua obsessão. O estímulo dessa obsessão é o sofrimento do outro, do seu semelhante. O médico é sempre esperado. Chega no leito, na mesa clínica, na calçada da rua, na estrada, no afogamento, no furacão, na tormenta, no campo de batalha, na prisão, no esconderijo, no ostracismo, na fuga, em Hiroshima. O que chega, na realidade, é a solidariedade que o médico representa. É o amor que lhe confere neutralidade, que lhe permite valorizar a vida acima de quaisquer outras considerações.