A Família Arantes
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     Orozimbo Luiz Arantes

Segundo filho do casal Vicente Luiz da Costa e Cândida Fortunata Arantes, nasceu em 26 de janeiro de 1894 e casou-se pela primeira vez com Francisca Azambuja de Menezes, e conceberam 13 filhos: Adyl, Atacil, Adito, Acy, Any, Sebastião, Arlito, Antônio, Daul, Vicente, Cândida, Ayres e Maria Áurea.
Orozimbo ficou viúvo e casou-se pela segunda vez com Altair Luzia, mudaram-se de Paulo de Faria, SP. para a fazenda Água Vermelha, no município de Indiaporã, SP. e lá, o casal teve quatro filhos: Otenevil, Orozimbo, Januária e Adélia.
Orozimbo, adquirindo uma propriedade de terras que continha 1.200 alqueires, trouxe de Paulo de Faria para iniciar sua nova vida em Indiaporã, 10 vacas leiteiras, cavalos e porcos e multiplicou por dezenas de vezes tudo o que possuiu, de forma a deixar para cada um dos seus filhos, como herança, uma fazenda com cerca de 100 alqueires de terras contendo às vezes toda a infra-estrutura para que estes seus herdeiros pudessem iniciar com mais facilidade suas culturas agropecuárias.
Era católico, participava das festas de igreja e foi festeiro no ano de 1.946. Dava bons exemplos, era um bom conselheiro e sempre interferia nas desavenças dos vizinhos para a conciliação, além disso, também hospedava em sua casa os viajantes que passavam pela estrada, com destino a Minas Gerais. Não participava das comissões sociais que se organizavam, mas ajudava financeiramente com tudo o que lhe pedissem. Colaborou com a construção de pontes, escolas, clube, campo de aviação, postes para energia elétrica, etc. Sempre trajava um temo de brim, de preferência cáqui, da marca Argos.

(texto extraído do livro Memórias de Indiaporã, de Adelino Francisco do Nascimento)


Orozimbo Luiz Arantes, lá pelos anos sessenta, adquiriu para sua locomoção e serviços na fazenda, uma Pick-Up Chevrolet de cabine dupla, cor verde oliva... Morava na cidade de Indiaporã e a sede de sua fazenda, distante dali mais ou menos dez quilômetros, ele tinha que fazer esta "viagem" de ida e volta todos os dias... Não sabia dirigir ainda e para o seu aprendizado, buscou ajuda ao "Seu" Alcebíades do posto de gasolina. O vovô já tinha certa idade e teimoso como são todos os Arantes, cismou de me levar para sua primeira aula de volante e lá fomos os três até o campo de futebol que não tinha um fio sequer de grama, era uma terra só, local ideal para as aulas, pois em uma grande área, não havia obstáculos para atrapalhar... Após umas demonstrações de como dirigir e com muitas explicações calmamente passadas para o vovô, o Seu Alcebíades entregou o volante ao aprendiz com este a dizer que já estava de bom tamanho tanto falatório, que já sabia tudinho e que já poderia assumir desde então. Ai, ai, ai... Eu, pequenino, sentado ali do lado do passageiro com o Seu Alcebíades no meio e o vovô no volante, a verdinha arrancou como um sapo assustado fugindo de seu predador, aos pulos, empreendia mais velocidade do que era realmente necessário; rumou para o centro do campo foi saracoteando por ali como se um bêbado estivesse tentando pegar um frango no quintal, um "S" pra lá, outro pra cá... Olhei para os dois, o vovô, suava sob seu terno de cor cáqui, agarrava-se ao volante de tal forma que eu não sabia se estava paralisado de medo, mas movimentava os braços freneticamente fazendo círculos ao volante e a caminhonete, novinha em folha, obedecia aos comandos e ia conforme Deus queria; o Seu Alcebíades, esbugalhando seus olhos, tentava articular algumas palavras que ninguém identificava, pois tudo o que tentava dizer era traduzido ao que saía: Meu Deus, Nossa Senhora, pá, pá... Acho que ele queria dizer: "Pára Orozimbo!". Teve jeito não, o vovô seguiu e quando de um lado do campo, pegou em reta direta para o outro lado, ficamos mais sossegados, pois parecia que ele já tinha "domado" a máquina! Com velocidade média seguimos até quase a grande área do campo lá do outro lado, as traves do gol se aproximando e o vovô, para evitar os ziguezagues anteriores, manteve a direção em reta.... Socorro! Parecia o grande Vavá, levando tudo no peito e na raça... Vira Orozimbo, vira pra lá... Pára Orozimbo, breca homem, óia o gol! Eu não conseguia falar nada e nem fechar os olhos de tanto medo e vi do meu lado a trave direita do gol, passar raspando o espelho retrovisor (se fosse um pênalti, seria um golaço)! Só que precisávamos parar pois logo depois das traves do gol (quem conheceu pode se lembrar), tinha um imenso mamonal (plantação de mamonas) e lá fomos nós pra dentro... Sorte que o Seu Alcebíades deu um jeito e desligou a caminhonete assim que passamos pelo gol e a entrada no mamonal foi somente pela força da inércia, pois o motor da "verdinha" estava apagado!
Saímos pra fora mais que depressa, eu e o Seu Alcebíades que de fora quase gritava pro vovô: "O quê cê queria fazer? Quase nos matou!"... como resposta, o vovô disse: "Eu só queria tirar uma fininha da trave!”.
Ô fininha... foi do meu lado! Quase morri de susto!
E depois, após muitas outras aulas as quais não contaram comigo de jeito nenhum, o vovô assumiu sozinho a sua verdinha, mas ela, sempre estava toda riscada na sua lateral direita e o motivo é bem simples de se explicar: "O Seu Alcebíades disse que ao passar por uma porteira mais apertadinha, teria que tirar a "fininha" do lado que tinha mais visão, isto é, do lado do motorista! Mas, o teimosão vovô Arantes, a exemplo de sua primeira aula, sempre dizendo que se fosse para bater, que fosse do outro lado que não o seu!". Por isso, coitadinha da caminhonete, sempre com seu lado direito todo amassado! Vivi com o vovô por um bom tempo na sua casa e mesmo não estando tão junto dele como gostaria de estar sempre, o tive muito próximo de mim. Sempre presente como exemplo de vida para mim e para os meus.
Atacil Luiz Arantes Junior